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A banalização da
recuperação estrutural ! |
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Estão “maquiando” nossas estruturas.
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Leonardo Zapla*
No
artigo anterior, falávamos sobre as infiltrações e os caminhos que a água usa
para apresentá-las (trincas, rachaduras, poros dos materiais, falhas no material
como, ninhos no concreto, brocas e fendas junto as armaduras) e os estragos que
elas causam nas edificações. Apresentamos também, uma técnica revolucionária que
impermeabiliza profundamente através de injeção o interior da própria estrutura,
realizando uma rápida colmatação das trincas, fissuras e cavidades no interior
do concreto, preenchendo e impermeabilizando sem quebrar.
Sem duvida a
infiltração é a causa ou o meio necessário para a grande maioria das patologias
em edificações. Dentre as diversas, podemos destacar o ataque as estruturas de
concreto armado.
A água como eletrólito da corrosão.
A água é um meio condutor de
eletricidade devido á sua carga natural de íons Cálcio, Magnésio, Sódio,
Bicarbonato, Sulfato, Cloretos e Nitratos. Sem dúvida, os cloretos são os que se
relacionam mais com a corrosão, já que, como outros íons, aumentam a
condutividade elétrica da água, facilitando enormemente o fluxo da corrente de
corrosão. Também reduzem, de forma significativa, a proteção de filmes ou
películas de proteção aplicadas, pois, por aí permeiam facilmente. Os íons
nitratos, como os sulfatos, são tão perigosos quanto os cloretos para o aço.
Apresentam –se, entretanto, em menores concentrações. Na prática, águas com alta
concentração de sulfatos atacam o concreto. O pH da água raramente foge do em
torno a 4,5 – 8,5. De todos os gases dissolvidos na água, o OXIGÊNIO
ocupa posição especial porque é um tremendo estimulante á corrosão. Um concreto
bem dosado, com recobrimento e fator a/c (água/cimento) adequados, inclusive ao
ambiente, estará protegendo suas armaduras da corrosão pelo fato de fornecer um
ambiente envolvente altamente alcalino, com um pH entre 12 e 13. No entanto,
quanto mais permeável for a camada de recobrimento mais o concreto tornar-se-á “molhável”,
permitindo fácil acesso á água e aos gases, como o oxigênio, através de sua rede
de vazios. Comumente, no entanto, ter-se-á, sempre, trincas e/ou fissuras em sua
superfície, devido a processos de cura insuficientes ou mesmo inexistentes,
fazendo com que aqueles elementos tenham fácil e rápido acesso ás armaduras.
Além de ser um dos principais
“elos” da corrosão, a água também pode corroer o concreto. A medida em que a
água vai infiltrando, ela dissolve o Oca (dando hidróxido de cálcio), e também a
sílica, tornando o concreto cada vez mais poroso, conseqüentemente mais fraco. O
dióxido de carbono na atmosfera reagirá com a umidade (devido a infiltração)
existente no interior dos poros da estrutura, convertendo o hidróxido de cálcio
com alto pH, em carbonato de cálcio que tem pH mais neutro. (pH diminui inicia a
corrosão). Observe que voltamos ao ponto inicial, CORROSÃO.
Corrosão – Transformação
do metal em compostos de propriedades menos desejáveis (normalmente, a oxidação
para voltar a ser o mineral do qual foi extraído. Retorno ao seu estado natural
mais estável).
Uma força “invisível”.
Todo este processo contribui
para o aumento significativo da desagregação do concreto. Esta desagregação se
inicia na superfície com uma mudança de coloração seguida de um aumento na
espessura das fissuras entrecruzadas, que costumam aparecer.
Nas regiões em que o concreto
não é adequado, não recobre ou recobre deficientemente a armadura, há a formação
de óxi-hidróxidos de ferro, que passam a ocupar volumes de três a dez vezes
superiores ao volume original do aço da armadura, podendo causar pressões de
expansão superiores a 15 Mpa.
Estas tensões provocam
inicialmente a fissuração do concreto na direção paralela a armadura corrida, o
que favorece ainda mais a carbonatação e a penetração de agentes agressivos,
causando o lascamento do concreto.
O comprometimento do desempenho da estrutura e
o constrangimento psicológico.
É sabido que o concreto
armado só funciona como um sólido composto (ou seja, como é calculado) quando há
perfeita aderência entre o concreto e o aço. É comum encontrarmos condomínios
com a filosofia – Isso pode esperar mais um pouco, não vai cair etc!. Esperando
o momento “certo” para intervir, deixando muitas vezes os condôminos sem sono.
Mas devemos alertar, que em geral, os problemas patológicos são evolutivos e
tendem a se agravar com o passar do tempo, além de acarretarem outros problemas
associados ao inicial.
Pode-se afirmar que as
correções serão mais duráveis, mais efetivas, mais fáceis de executar e muito
mais baratas quanto mais cedo forem executadas. A demonstração mais expressiva
dessa afirmação é a chamada “lei de Sitter” que mostra os custos
crescendo segundo uma progressão geométrica.
Dividindo as etapas
construtivas e de uso em quatro períodos correspondentes ao projeto, à execução
propriamente dita, à manutenção preventiva efetuada antes dos primeiros três
anos e à manutenção corretiva efetuada após surgimento dos problemas, a cada uma
corresponderá um custo que segue uma progressão geométrica de razão cinco (5).
Segundo SITTER, colaborador
do CEB – Comitê Euro-international du Béton – formulador dessa lei de custos
amplamente citada em bibliografias especificas da área, adiar uma intervenção
significa aumentar os custos diretos em progressão geométrica de razão 5, o que
torna ainda mais atual o conhecido ditado popular “não deixes para amanhã o
que se pode fazer hoje”, por cinco vezes menos.
A boa vontade que pode sair muito caro.
Síndico precavido, econômico,
há anos mantendo uma administração enxuta. Um belo dia se depara com as lajes e
vigas de suas garagens em processo de corrosão e desplacamento. Certamente, já
sabe o que fazer. Deixa recado com o porteiro para encontrar o Sr. Das obras,
que há anos ronda o condomínio e adjacências. “Profissional” barato, de
confiança, muito bom por sinal. Entretanto, esquece que o Sr. Das obras é um bom
executor, mas não detém conhecimentos técnicos que os diversos serviços de
engenharia requer. Continuando, lá vão, síndico e Sr. Das obras a loja de
materiais de construção mais próxima. O resultado? Compram os mais diversos
materiais. Aquele do comercial Dr, diz o Sr. Das obras. Satisfeito com a
“economia” e com a orientação sugerida pelo balconista da loja, seguem para a
execução da “maquiagem estrutural”.
- Remoção do concreto danificado
pela corrosão, remoção das carepas de corrosão, pintura inibidora polimérica ou
anticorrosiva, aplicação da argamassa de reparo. Pronto !!! agora é só pintar
Dr.
Bem Sr. Síndico, devemos lhe
informar que o termo “recuperação estrutural” aplicado em uma estrutura,
motivado por processo de corrosão em suas armaduras significa a restituição da
sua integridade em todos os sentidos, seja o físico e químico, sempre
considerando-se que um processo é uma série de fenômenos sucessivos com nexo de
causa e efeito. A restituição das seções do aço e do concreto, danificados por
processos de corrosão nas armaduras, representa nada mais nada menos do que o
efeito. E a causa ? Bem, a causa da corrosão nem todos sabem, mas, é de origem
eletroquímica, somente neutralizada por processo eletroquímico. Por que apenas
tratar os efeitos? Evidentemente, esta forma de recuperação estrutural conduz ao
aceleramento da deterioração da estrutura.
Todo problema patológico,
chamado em linguagem jurídica de vício oculto ou vício de construção, deve ser
acompanhado ou executado por um profissional devidamente habilitado.
O conhecimento da patologia
da construção é indispensável, em maior ou menor grau, para todos que trabalham
com recuperações e construção. Quando se conhecem os defeitos que uma construção
pode vir a apresentar e suas causas, é muito menos provável que se cometam
erros.
Voltando dias depois para ver
o serviço do Sr. Das obras e do Síndico econômico, nos deparamos com o seguinte
quadro: Utilização de argamassa com altíssima resistência a compressão,
invariavelmente duas a três vezes superior ao do concreto original. Em outras
palavras, sua relação tensão – deformação (módulo de elasticidade) é totalmente
diferente da base, dando como resultado uma transmissão de carga mais intensa e
sujeitando-a a um descolamento prematuro. Bem mais impermeável que o concreto da
base, possui uma rede de vazios bem inferior. O resultado é um comportamento
dimensional (coeficiente de dilatação térmica-relaxação-fluência) anômalo, não
tão importante para espessuras correspondentes ao recobrimento, mas extremamente
prejudicial para espessuras mais profundas, onde o volume de cargas é mais
intenso. Na verdade, o que se deseja é uma boa aderência, uma massa similar á
original, uma cura adequada (retração por secagem) e a efetiva neutralização da
corrosão através de um processo eletroquímico. Tudo a mais influencia o
comportamento dimensional da peça estrutural, devido a falta de cuidado em
tentar compatibilizar a recuperação. A incompatibilidade nas recuperações em
todos os segmentos da área é muito comum. Mas este será o nosso próximo assunto,
não recupere antes do próximo artigo.
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FOTOS |
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*Eng° Leonardo Zapla
é especialista em Patologias da Construção, Perito, Consultor
técnico de algumas empresas e diretor da Zapla Serviços
Especiais para Engenharia.
(21) 2487-5143
www.zapla.com.br
CORROSÃO
GALVÂNICA POR MEIO DA FIXAÇÃO DE ESTRUTURA METALICA PARA
VEÍCULAÇÃO DE PROPAGANDA EM FACHADAS E EMPENAS DAS EDIFICAÇÕES ,
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