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Leonardo Zapla*
A
maioria dos síndicos já começa a ter dores de cabeça só de imaginar
que o seu condomínio poderá sofrer com o mal das infiltrações. Também
pudera, nesses meses onde são freqüentes as chamadas “chuvas de
verão”, qualquer prejuízo que o edifício venha sofrer caso não tenha
tomado as devidas medidas preventivas, não será mesmo mera
coincidência. Afinal, água não irá faltar! Vazamentos, goteiras, toda
a sorte de incômodos que se possa imaginar estarão colocando a
paciência de todos à prova. Pensando nisso, aqui vão algumas dicas de
como evitar futuros transtornos para os moradores, como quebradeiras,
gastos exorbitantes etc. garantindo o perfeito estado das estruturas
do seu edifício.
Cuidados básicos garantem a saúde do seu condomínio
Essencialmente, a água poderá ocasionar a infiltração através de três
caminhos distintos: por meio de trincas e rachaduras, pelos poros do
material e ainda por falhas que este material possua como, por
exemplo, brocas, ninhos no concreto e fendas junto às armaduras. Os
principais vilões dessas infiltrações são os vícios construtivos, ou
seja, defeitos originados no próprio processo construtivo (erro de
projeto ou de execução) ou adquiridos ao longo do tempo (desgastes
naturais, utilização, manutenção ineficiente, agressões).
Mas
se os cuidados necessários para a prevenção não foram seguidos
corretamente, não adiantará chorar sobre o leite – ou melhor, a água –
derramada. Afinal, só haverá uma alternativa: resolver o problema!
Neste caso, o síndico se vê no meio de uma enxurrada de informações e
é o responsável em decidir qual será a alternativa ao mesmo tempo mais
eficiente e não muito dispendiosa para todos. Há mais de 10 anos, os
Estados Unidos e alguns países da Europa fazem uso de um sistema
impermeabilizante chamado de Grauteamento Químico (injeção de resinas)
– mais conhecido como injeção de resina hidroativada – destinado a
resolver problemas de infiltração em reservatórios e estruturas de um
modo geral, que impermeabiliza profundamente o interior da própria
estrutura.
A
Resina Flexível nada mais é que uma resina líquida hidrófoba, ou seja,
imune à penetração de líquidos e projetada para acabar com todos os
tipos de vazamentos ou infiltrações de maneira profunda. Ele contém um
aditivo chamado WD, capaz de quebrar a tensão superficial da água e
fazer com que ela seja facilmente desalojada de onde quer que esteja
surgindo. Desta forma, é realizada uma rápida colmatação das trincas,
fissuras e cavidades no interior do concreto.
Ao
entrar em contato com a água/umidade, esta resina promove uma reação
expansiva quase instantânea, através da formação de uma densa barreira
sólida de espuma com células fechadas – preenchendo e
impermeabilizando trincas, fissuras e poros por onde a água tiver
acesso. Ideal para ações contra vazamentos/umidade de água em lajes de
playgrounds, garagens, túneis, caixas de passagens, poços de
elevadores, reservatórios, eletrodutos, cabos de força e telefones.
Adesivo e penetrante, o poliuretano desenvolve um profundo trabalho de
ancoragem em ambos os lados da fissura injetada. Como conseqüência,
promove uma tenaz aderência em praticamente todos os substratos,
estejam secos, molhados ou úmidos.
Com
as infiltrações, os prejuízos são progressivos
A
aplicação é feita através de injeção, em quaisquer trincas, fissuras,
ninhos de concretagem, juntas frias, juntas de dilatação e demais
formas de surgimento de água. Por se tratar de um produto hidrófobo
(repelente), como já foi dito antes, e não hidrófilo (absorvente), o
poliuretano não necessita de água para promover a sua expansão. Caso
contrário, o seu volume expansivo seria dependente da quantidade de
água existente nas estruturas. Logo: pouca água, pouca expansão. Um
outro fator bastante preocupante nos produtos hidrófilos, é que o seu
volume acabaria sofrendo uma certa retração com o tempo, pelo
seguinte: poliuretanos hidroexpansivos hidrófilos, ao contrário dos
hidrófobos, têm seu processo de expansão condicionado ao volume d’água
existente no interior do concreto. Isso significa que, se houver pouca
água, o volume da espuma será pequeno. Muita água possibilitará o
desenvolvimento de um volume de espuma padrão, algo em torno de 30
vezes o volume de poliuretano injetado. Traduzindo: a esponja formada
pelo poliuretano hidroexpansivo hidrófilo é constituída à base de
moléculas d’água e, portanto, sofre os efeitos adversos dos ciclos de
secagem/molhagem que toda estrutura hidráulica se submete. Por isso,
na medida em que o nível d’água cai ou a superfície do concreto
aquece, a água pendurada na cadeia da esponja volatiza ou evapora,
fazendo com que sofra retração e torne aquela região permeável
novamente ao fluxo d’água.
Outra constante preocupação que envolve a questão da impermeabilização
seria a inevitável quebradeira sobre a qual o condomínio estaria
sujeito no intuito de resolver as infiltrações. Bem, não
necessariamente. Justamente, pelo fato de sua aplicação ser feita por
injeção, não há a necessidade de que a parte superior sobre a laje de
concreto a ser tratada (pisos nobres, cerâmicas, pedras portuguesas
etc.) seja quebrada para que seja aplicada uma manta asfáltica ou algo
parecido. Nem mesmo é necessário a retirada de plantas, terra das
jardineiras, água das piscinas e reservatórios.
Não
há dúvidas de que as infiltrações são capazes de grandes estragos
dentro dos condomínios. Um deles é quando elas acontecem na laje da
garagem, quando está localizada especialmente logo abaixo de
playgrounds. Os resultados mais comuns são: manchas localizadas em
forma de elipses (neste caso, geralmente o vazamento está no centro da
figura, e é causado por falha de concretagem), manchas lineares
(indicam fissura na impermeabilização) e estalactites de carbonato
brancas (indicam exatamente o ponto de passagem da água). Esta última
ocorre devido à dissolução da cal liberada na hidratação dos silicatos
de cálcio do cimento. Esta cal dissolvida, ao chegar na superfície do
concreto, é carbonatada pelo CO2 da atmosfera, tendo como conseqüência
o aparecimento de tais estalactites.
Este
silencioso efeito patológico pode levar os síndicos ao tribunal, pois
as estalactites de carbonato são capazes de queimar a pintura dos
carros lá estacionados. O síndico, por sua vez, poderá ser obrigado a
diminuir o número de vagas em virtude das goteiras corrosivas, e daí
em diante serão sempre mais prejuízos... Não devemos esquecer ainda
que, além de todos os transtornos trazidos pelas infiltrações, um dos
mais sérios é o ataque às armaduras de lajes, vigas e pilares de
concreto. O resultado? O comprometimento da estrutura da edificação.
Mas este será o nosso próximo assunto, por isso não toque na sua
estrutura antes do próximo artigo
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